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Expresso da Meia-Noite

5:21hip-hop brasileiro, bum bap, rap Álbum Nada Como um Dia Após o Outro Dia, Vol. 1 & 2 2002-10-07

Letra e tradução

Original

Tô de rolê na quebrada, de para de filmada.

São vinte e três horas e a noite tá iluminada. Acendo um cigarro, tô inspirado. Ando sozinho?

Não, não, Deus tá do lado. É sábado, a rua tá cheia, uma pá de gente.

Delegacia sete três, rebelião no pente.

No São Luiz, alguém sangrando na fila de espera, enquanto em alguma encruzilhada se acende vela.

Na igreja os crente faz vigília pra se salvar, ansiedade à espera de Jesus quando voltar.

Em frente um bar tá lotado, fim de carreira, vários tio embriagado.

Talvez seja frustrado com a família ou tenha espancado até a sua própria filha, que brilha naquela maldade com o próprio corpo. Quinze anos de idade, já fez aborto.

O que não falta é louco e louca, tem de sobra. Periferia, legião, mãos à obra. Álcool e droga tá ali, corre junto.

A morte, a foice atrás de mais um assunto.

É dois minuto pra arrumar quem tá de luta, que nem chega a respirar. Tem que pensar mais rápido e puxar o gatilho.

Se não for ligeiro, parceiro, toma tiro. Tá no limite, tá à flor da pele.

Quem é ferido com o mesmo ferro sempre fere. A arma de fogo impõe respeito.

No submundo da metrópole é desse jeito. Não pense, não pisque, não dê um passo.

Quem se habilita, é um abraço. A paz é dichavada e fumada na seda.

Tranquilidade enquanto a brasa tá acesa.

A cortina de fumaça sob o holofote, onde a aliada maior é a sorte. Em cada lote, uma viela.

Nas curva da Nova Galvão, uma favela que testemunha toda hora algum coitado, igual aquele que no meio foi rasgado, metralhado vários tiro de automática. Pros covarde, é a forma que é mais prática.

Eliminar e deixar pra trás uma mancha de sangue que não apaga nunca mais.

Famílias destroçadas pela maldade. Criança sem pai vai ser o que mais tarde?

A vida não é um conto de fada, não, principalmente na calada, na quebrada, onde a gente vê, registra várias fita. O que ser humano é capaz, você não acredita.

Só quem é de lá sabe o que acontece.

Eu vejo terra, eu vejo asfalto. Eu vejo guerra, morte, assalto.

Sangue no chão, a esperança que agoniza reflete a vida que a novela satiriza.

Aí, fica ligeiro que na esquina tá embaçado, a área tá sinistra e o clima tá pesado. A

Zona Norte é grande, extensa. Cada quebrada uma situação, uma sentença.

Sem diferença, conheço os quatro canto, eu vi. A violência se iguala por enquanto aqui.

Chacina, estupro, tráfico. A noite é foda, irmão, só dá lunático.

Vida de louco, de inferno e sufoco. Dinheiro vai e vem, mas ainda é muito pouco.

Se tem coragem, até uns doido corre atrás. Se dois é bom, trutão, três nunca é demais.

Mais uma pá de prego espera acontecer. Agora a mina grávida, o que se vai fazer?

Vender um barato na esquina ou vai roubar?

O pivete logo vai nascer, quem vai bancar? Famílias vêm, famílias vão, fugindo da morte, fugindo da prisão.

A vida do fundão é desequilibrada. Hebrom, Piqueri, Jová, Serra Pelada.

Só quem é de lá sabe o que acontece.

Só quem é de lá sabe o que acontece.

Ninguém confia em ninguém, é melhor assim.

Eu nem na minha sombra e nem ela ni mim. Hoje qualquer moleque tá andando armado.

Puxa o cão sem pensar pra ser respeitado. Eu tô ligado, eu sei quem é quem.

O Super-Homem de bombeta vai matar alguém, sendo refém de espíritos malignos, mal-intencionados, cínico, leviano, indigno.

Fui obrigado a conviver com isso, com uma quadrada e um velho crucifixo. É sempre bom andar ligeiro na calada.

A vida não é um conto de fada.

Só quem é de lá sabe o que acontece.

Só quem é de lá sabe o que acontece.

Tradução em português

Tô de rolê na quebrada, de para de filmada.

São vinte e três horas e a noite tá iluminada. Acendo um cigarro, tô inspirado. E sozinho?

Não, não, Deus tá do lado. É sábado, a rua tá cheia, uma pá de gente.

Delegacia sete três, rebelião no pente.

No São Luiz, alguém sangrando na fila de espera, enquanto em alguma encruzilhada se acende vela.

Na igreja os crente faz vigília pra se salvar, ansiedade à espera de Jesus quando voltar.

Em frente um bar tá lotado, fim de carreira, vários tio embriagado.

Talvez seja frustrado com a família ou tenha espancado até a sua própria filha, que brilha aquela maldade com o próprio corpo. Quinze anos de idade, já fez aborto.

O que não falta é louco e louco, tem de sobra. Periferia, legião, mãos à obra. Álcool e droga tá aí, corre junto.

A morte, foi atrás de mais um assunto.

É dois minutos para arrumar quem está de luta, que nem chega a respirar. Tem que pensar mais rápido e puxar o gatilho.

Se não for ligeiro, parceiro, toma tiro. Tá sem limite, tá à flor da pele.

Quem é ferido com o mesmo ferro sempre fere. A arma de fogo impõe respeito.

No submundo da metrópole é desse jeito. Não pense, não pisque, não dê um passo.

Quem se habilita, é um abraço. A paz é dichavada e fumada na seda.

Tranquilidade enquanto a brasa está acesa.

A cortina de fumaça sob o holofote, onde a aliada maior é a sorte. Em cada lote, uma viela.

Nas curva de Nova Galvão, uma favela que testemunha toda hora algum coitado, igual aquele que no meio foi rasgado, metralhado vários tiros de automático. Pros covarde, é a forma que é mais prática.

Eliminar e deixar pra trás uma mancha de sangue que nunca mais foi apagada.

Famílias destruídas pela maldade. Criança sem pai vai ser o que mais tarde?

A vida não é um conto de fada, não, principalmente na calada, na quebrada, onde a gente vê, registra várias fitas. O que ser humano é capaz, você não acredita.

Só quem é de lá sabe o que acontece.

Eu vejo terra, eu vejo asfalto. Eu vejo guerra, morte, assalto.

Sangue no chão, a esperança que agoniza reflete a vida que a novela satiriza.

Aí, fica ligeiro que na esquina tá embaçado, a área tá sinistra e o clima tá pesado. Um

Zona Norte é grande, extensa. Cada uma situação quebrada, uma sentença.

Sem diferença, conheço os quatro cantos, eu vi. A violência se iguala por enquanto aqui.

Chacina, estupro, tráfico. A noite é foda, irmão, só dá lunático.

Vida de louco, de inferno e sufoco. O dinheiro vai e vem, mas ainda é muito pouco.

Se tem coragem, até uns doido corre atrás. Se dois é bom, trutão, três nunca é demais.

Mais um pá de prego espera acontecer. Agora a minha gravidez, o que vai fazer?

Vender um barato na esquina ou vai roubar?

O pivete logo vai nascer, quem vai bancar? Famílias vêm, famílias vão, fugindo da morte, fugindo da prisão.

A vida do fundão está desequilibrada. Hebrom, Piqueri, Jová, Serra Pelada.

Só quem é de lá sabe o que acontece.

Só quem é de lá sabe o que acontece.

Ninguém confia em ninguém, é melhor assim.

Eu nem na minha sombra e nem ela ni mim. Hoje qualquer moleque tá andando armado.

Puxa o cão sem pensar pra ser respeitado. Eu estou ligado, eu sei quem é quem.

O Super-Homem de bomba vai matar alguém, sendo refém de espíritos malignos, mal-intencionados, cínicos, levianos, indignos.

Fui obrigado a conviver com isso, com uma praça e um velho crucifixo. É sempre bom andar ligeiro na calada.

A vida não é um conto de fada.

Só quem é de lá sabe o que acontece.

Só quem é de lá sabe o que acontece.

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