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Descrição
Produtor: Sam Sauvage
Produtor: Pierre Cheguillaume
Produtor: Simon Qenea
Compositor: Sam Sauvage
Letra e tradução
Original
Mesdames,
Messieurs, pardonnez-moi d'interrompre votre trajet.
Ce doit bien être la dixième fois qu'une odeur âcre vous prend au nez.
Moi, j'suis comme vous, j'suis fatigué quand la ville défile sous mes pieds.
J'tiens debout pour vous ressembler, mais je n'sais pas vraiment où j'vais.
Mesdames, Messieurs, excusez-moi, vraiment, je n'veux pas déranger.
J'suis au chômage, j'ai les pieds froids et à mon âge, c'est terminé. Sur le marché, on n'veut pas d'moi.
Champs-Élysées, faut pas qu'on m'voit. On m'a déplacé tant de fois, on m'a pris pour un hors-la-loi.
Alors je me tiens devant vous et puis de wagons en wagons, je m'autorise un rendez-vous avec ou sans la permission.
Je tends mes mains en garde-fou devant vos regards innocents.
Je sais que vous n'savez pas, vous, ce que c'est la vie sans les dents. Mesdames, Messieurs, je sais qu'au fond, je vous emmerde.
C'est dans vos yeux.
Vous grimacez, le dos tourné, je vous fais perdre un temps précieux.
Mais c'est pas moi qui ai promis l'année dernière, si prétentieux, de nous faire taire par la prière, nous qu'on appelle les miséreux.
Alors, je crie dans l'métro!
Jusqu'au terminus.
Mesdames, Messieurs, vous connaissez mon discours sur le bout des doigts.
Un ton sérieux, la main levée, j'l'ai crié sourd combien de fois?
Devant les gens ensommeillés, devant vilains et scélérats, devant les retours de soirée.
De cette scène, je suis le roi.
Alors, je me tiens devant vous, une fois de plus, dans ce wagon, cherchant de quoi tenir le coup malgré moi, la désillusion.
Je suis du pays à genoux devant vos regards innocents.
Je sais que vous n'savez pas, vous, ce que c'est la nuit sous le vent.
Mesdames, Messieurs, c'est trop demander un euro qui passerait par là.
Mais y a pas l'feu, j'suis pas pressé, j'ai tout mon temps, mon dernier droit.
J'vais pas mentir, si vous m'donnez rien du tout, j'vous en voudrai pas.
Je sais que vous, êtes enchaînés dans ce silence qui fait l'État.
Alors, je crie dans l'métro!
Jusqu'au terminus.
Tradução em português
Senhoras,
Senhores, perdoem-me por interromper sua viagem.
Esta deve ser a décima vez que um cheiro pungente atinge seu nariz.
Sou como você, fico cansado quando a cidade passa sob meus pés.
Estou tentando me parecer com você, mas realmente não sei para onde estou indo.
Senhoras e senhores, desculpem-me, sério, não quero incomodá-los.
Estou desempregado, meus pés estão frios e na minha idade acabou. Eles não me querem no mercado.
Champs-Élysées, não deixe ninguém me ver. Fiquei emocionado tantas vezes que fui considerado um fora-da-lei.
Então estou diante de vocês e, de carroça em carroça, me permito um encontro com ou sem permissão.
Estendo minhas mãos como uma proteção contra seu olhar inocente.
Eu sei que você não sabe como é a vida sem dentes. Senhoras e senhores, sei que no fundo estou incomodando vocês.
Está nos seus olhos.
Sua careta, de costas, estou desperdiçando seu precioso tempo.
Mas não fui eu quem prometi no ano passado, de forma tão pretensiosa, silenciar-nos através da oração, nós que somos chamados de pobres.
Então, eu grito no metrô!
Até o término.
Senhoras e senhores, conhecem o meu discurso como a palma da sua mão.
Tom sério, mão levantada, quantas vezes já gritei surdo?
Diante de gente sonolenta, diante de vilões e canalhas, diante de gente que volta da noite.
Desta cena, eu sou o rei.
Então, estou diante de vocês, mais uma vez, neste carro, procurando algo para me segurar, apesar de mim mesmo, da desilusão.
Sou do campo, de joelhos diante de seus olhares inocentes.
Eu sei que você não sabe como é a noite ao vento.
Senhoras e Senhores Deputados, é pedir demais um euro que passe por isto.
Mas não tem fogo, não tenho pressa, tenho todo o meu tempo, meu último direito.
Não vou mentir, se você não me der nada, não vou te culpar.
Sei que você está acorrentado a esse silêncio que constitui o Estado.
Então, eu grito no metrô!
Até o término.